Legislação e atualidades

ESG na construção civil: o que é obrigação e o que é discurso

Equipe técnica · Ecosense Engenharia Ambiental·

Muito se fala em ESG como se fosse já uma obrigação legal consolidada no Brasil. Não é — e um episódio recente mostra exatamente isso: em maio de 2026, a CVM recuou de uma regra que ela mesma havia criado. Isso não significa que a agenda seja irrelevante pra construção civil; significa que vale separar o que é lei do que é discurso, e a resposta real é mais específica (e mais antiga) do que "ESG é o futuro".

A reviravolta da CVM: o Brasil chegou a ser pioneiro, e recuou

Em outubro de 2023, a CVM tornou o Brasil o primeiro país do mundo a adotar formalmente os padrões internacionais de relato de sustentabilidade (IFRS S1/S2), com obrigatoriedade prevista para começar em 2026. Mas, em maio de 2026, a própria CVM publicou uma nova resolução revogando essa obrigatoriedade — sob pressão do setor empresarial e reconhecendo dificuldade institucional de fiscalizar o cumprimento. O que sobrou, e continua valendo, é uma exigência mais simples desde 2023: as companhias abertas precisam declarar se divulgam indicadores ambientais, sociais e de governança — no modelo "pratique ou explique". Podem, legalmente, dizer que não divulgam nada.

O que é obrigação de verdade: financiamento de obra exige licença — desde 1981

Aqui está a conexão real entre ESG e o que a Ecosense já faz, e ela não é nova nem depende de moda: a Lei 6.938/1981 (Política Nacional do Meio Ambiente) já condicionava a liberação de financiamento e incentivo governamental ao licenciamento ambiental do projeto. Não é regra de ESG — é lei de mais de quatro décadas.

A Lei Geral do Licenciamento Ambiental de 2025 reforçou isso pro sistema financeiro moderno: instituições supervisionadas pelo Banco Central — os bancos, inclusive privados — passam a ter que exigir a apresentação da licença ambiental cabível para conceder financiamento a atividade sujeita a licenciamento. O BNDES já confirma essa exigência em sua própria política: licença ambiental é condição de apoio em todos os empreendimentos financiados, com critérios adicionais pra setores mais sensíveis.

A governança pesa mais, não menos, depois da lei nova

Um detalhe pouco falado: a mesma lei de 2025 retirou dos bancos o dever de fiscalizar a regularidade ambiental de quem financiam — eles exigem a licença, mas não respondem se ela for irregular, desde que a tenham exigido. Isso desloca a responsabilidade: a governança interna da construtora sobre seu próprio processo de licenciamento passa a valer mais, não menos, porque o banco deixou de ser um segundo filtro de conformidade.

Certificações voluntárias: existem, e não substituem o licenciamento

Pra quem quer ir além do mínimo legal, existem três certificações reconhecidas de construção sustentável no Brasil:

  • Selo Casa Azul (Caixa): criado em 2010, com critérios em seis categorias — incluindo uma categoria própria de práticas sociais, o "S" do ESG aplicado de forma concreta.
  • LEED: certificação internacional, operada no Brasil pelo GBC Brasil, com categorias que vão de implantação a eficiência energética e qualidade ambiental interna.
  • AQUA-HQE: a primeira certificação ambiental de edifícios criada no Brasil, baseada no francês Démarche HQE.

Nenhuma delas dispensa ou substitui o licenciamento ambiental — são processos voluntários, paralelos, que agregam valor de mercado, mas não abrem mão de nenhuma etapa legal.

Perguntas frequentes

Relatório ESG é obrigatório no Brasil hoje?

Não. A CVM chegou a tornar obrigatório o relato de sustentabilidade no padrão internacional IFRS, mas revogou essa obrigatoriedade em maio de 2026. O que continua valendo é uma declaração mais simples de "pratique ou explique" — a empresa pode legalmente dizer que não divulga nada de ESG.

Bancos exigem licença ambiental pra financiar obra?

Sim, e não é novidade de ESG — é lei desde 1981 (art. 12 da Lei 6.938/1981), reforçada em 2025 pela nova Lei Geral do Licenciamento Ambiental, que passou a exigir isso explicitamente das instituições financeiras supervisionadas pelo Banco Central.

Existe certificação de construção sustentável reconhecida no Brasil?

Sim, três principais: o Selo Casa Azul da Caixa (com categoria específica de práticas sociais), o LEED (internacional, com operação no Brasil pelo GBC Brasil) e o AQUA-HQE (a primeira certificação ambiental de edifícios criada no Brasil). Nenhuma delas substitui o licenciamento ambiental — são processos voluntários e paralelos.

Se a CVM recuou, a governança da construtora importa menos agora?

Pelo contrário. A lei de 2025 tirou dos bancos o dever de fiscalizar a regularidade ambiental de quem financiam — eles só exigem a licença, não a auditam. Isso transfere mais peso para a governança interna da construtora sobre seu próprio processo de licenciamento.

Precisa da licença pra liberar o financiamento?

A Ecosense conduz o licenciamento com o rigor técnico que qualquer due diligence bancária exige — sem depender de auditoria externa pra estar em ordem.

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